A
cevada é uma cultura milenar, sendo atualmente o quarto
cereal mais colhido do mundo. Dentre os vários tipos
de cevada explorados pelo homem a cevada cervejeira é
a única produzida comercialmente no Brasil. Atualmente
representa importante opção como cultura de
inverno na região Sul e também no cerrado do
Brasil central em cultivo irrigado.
O grão
de cevada destinado à indústria cervejeira precisa
apresentar uma série de características, entre
as quais, germinação mínima de 95%, percentagem
de grãos classe 1 acima de 85% e teor de proteína
não excedendo 12%.
O malte é produzido a partir de um processo biológico,
que consiste na modificação do endosperma do
grão, através da germinação sob
condições de ambiente controladas. A germinação
ativa enzimas desencadeando modificações químicas
dos principais componentes do grão (amido, proteínas,
etc.), deixando o produto pronto para a fabricação
de cervejas.
O Brasil é um dos maiores
consumidores de malte do mundo. A indústria nacional
de malte produz (30%) da demanda, utilizando cevada nacional,
que atinge 300.000 toneladas/ano. Portanto, conclui-se que
a agroindústria nacional de cevada-malte tende a crescer.
Em fins de 1999 instalou-se na cidade de Taubaté (SP),
uma malteria independente, a Malteria do Vale S.A. Ela está
situada na região compreendida pelo triângulo
formado entre as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro
e Belo Horizonte, o que representa mais de 70% do consumo
nacional desse produto.
Dessa
forma motivados e com o objetivo de honrar o compromisso de
encontrar alternativas para a agricultura e agroindústria
de São Paulo, o Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes
(DSMM), da Coordenadoria de Assistência Técnica
Integral (CATI), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento
(SAA) vem, desde o ano 2000, testando em diversos locais do
Estado, cultivares de cevada cervejeira desenvolvidas pelo
Centro Nacional de Pesquisa de Trigo da Embrapa.
Resultados
dos testes
Após
três anos de ensaios em diversas regiões paulistas
e das análises de qualidade realizadas nos laboratórios
da Malteria do Vale S.A., o Centro de Testes, Avaliação
e Divulgação do DSMM, identificou várias
cultivares com potencial produtivo competitivo nas condições
testadas. Os resultados experimentais de qualidade cervejeira
também foram positivos, evidenciando o potencial do
estado de São Paulo para a produção em
larga escala desse tipo de cereal.
Médias
de rendimento e de teor de proteína obtidas em ensaios
conduzidos no estado de São Paulo nos últimos
três anos.

2001: 01 ensaio (Itapeva)
2002: 03 ensaios (Itaí, Itatinga)
2003: 03 ensaios (Paranapanema, Manduri, Aguaí)
Diante
dos resultados experimentais positivos, torna-se necessária
a intensificação dos trabalhos de pesquisa e
os de extensão, visando validar regiões para
produção comercial de cevada de qualidade comprovada.
Nos próximos
anos será dado seguimento aos testes de campo com a
inclusão de novas áreas, cultivares e tecnologias.
Várias lavouras comerciais já estão sendo
conduzidas por produtores interessados em conhecer o potencial
da cultura, em parceria com a indústria de malte instalada
no Estado e o DSMM, visando à produção
de sementes.
Indicações
técnicas para o cultivo da cevada cervejeira
As
cultivares que apresentaram potencial em São Paulo
já são produzidas em outras regiões,
seguindo as mesmas indicações vigentes, para
a produção comercial.
Para
a produção de cerveja é fundamental que
o plantio seja planejado e realizado em parceria com uma indústria
de malte que absorverá a produção, mediante
contratos de compra previamente firmados.
Plantar em regiões, já testadas, que se mostraram
mais favoráveis ao rendimento com qualidade cervejeira.
Implantar lavouras somente em propriedades com disponibilidade
de água e equipamentos de irrigação adequados
para eventual irrigação suplementar.
Usar
semente fiscalizada com qualidade sanitária comprovada
e, se necessário, tratada com fungicidas.
Escolher
solos corrigidos, bem drenados, profundos, livres de impedimentos
físicos e químicos.
Utilizar,
onde for possível, o sistema Plantio Direto na Palha
ou pelo menos o cultivo mínimo.
Utilizar
somente variedades testadas, indicadas pelo DSMM/CATI com
o aval da indústria local.
Aplicar
corretivos e fertilizantes mediante correta amostragem e interpretação
das análises de solo e de acordo com as exigências
e características das variedades.
Plantar na época mais indicada para a região,
escalonando o plantio em pelo menos duas datas distintas.
Pelas características climáticas da região
estudada e exigências da cultura, o plantio no mês
de maio tem apresentado, até agora, os melhores resultados
com as cultivares disponíveis. Os plantios nesse mês
deverão dar colheita no final de agosto/início
de setembro antes, portanto, do início do período
chuvoso, que poderá ser prejudicial à colheita.
Plantar
em áreas com rotação de culturas, evitando
a monocultura de espécies gramíneas.
Outras
informações técnicas sobre a cultura
poderão ser encontradas na página www.cnpt.embrapa.br.
Mais
Informações:
Departamento
de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM/CATI)
Av. Brasil, 2.340 - Jd. Chapadão - CEP 13073-001 -
Campinas, SP
dsmm@cati.sp.gov.br